segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Voltar pra casa

É como um café com bastante açúcar, não me faz bem
Ainda assim é preciso sustentar esse corpo já viciado
Porque existe uma parte, uma parte boa, que nos mantém
“o dia que demos as mãos e nos permitimos criar asas”
E eu sei tanto quanto você, eu só preciso voltar pra casa
Mas eu não consigo, meus pés estão presos neste lugar
Vejo-me parado, olhando para o que me trouxe até aqui
Tratoir maldito, quantas vezes terei que blasfemar?
É...  De nada adianta, então a deixo caminhar comigo
Lado a lado, por toda extensão dessa calçada maltratada
Como se fosse um inimigo que se transformou em amigo
De tanto que me acompanha quando preciso voltar pra casa

Acometo o gigante Prometeu que reside atrás das costelas
Cometo o pior dos enganos em uma história tão bela
Só pra satisfazer a arte e a vontade que nutre essas poesias
E no fim até que me dou bem, alguém sempre as devoras
Fico feliz com a companhia dessa solidão que me faz par
Brindo com uma dose de cafeína que dissolve a glicose
Então vou pedir pra ficar e fazer uma piada quase singular
Pois o sentimento é perfeito e o desejo são olhos saltados
E que faz os seus lábios sorrirem com um desejo guardado

Sabe, dessa vez a solidão foi embora, foi sim
E o que eu tenho que dizer é um muito obrigado
Por me deixar ser eu, mesmo sendo o cara errado
Por me ajudar a voltar pra casa, a voltar pra casa...

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