quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Dente de Leão

E no final do dia
um bom banho resolve tudo
pelo menos sempre resolvia
mas agora não mais
me sinto com a alma suja
(...)

Vou fechar a casa
trancar o portão
por uma placa de vende-se
me mudar outra vez
seguir a linha amarela traçada no chão
Lembro do filme "A Maldição de Amélia"
preciso ir, sabe?
fugir desse coma
abandonar este corpo
que não vai, nem fica

Sou o dente de leão
que vai flutuando com o vento
sem precisar ser soprado
é só esperar dado momento
vai, voa pra longe
vai, viva e deixe viver
a liberdade é o horizonte

Eu vou!

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Círculos



Paro de desenhar círculos no photoshop.
Botão Windows + L.
Uma pausa para o café.
Sempre é bom.

Aquela dúvida deliciosa
Cappuccino , chá ou apenas café?
R$0,20 pra máquina.
Lembro-me que já escrevi sobre isso.

Levo o copo até a boca,
sangue na borda,
esqueci que meus lábios estão partidos.
Sorriso esquálido.

Enquanto tento jogar o café pra dentro,
eu penso na vida.
Todo mundo pensa,
tomando café,
escutando uma musica no fone,
quando está só, sem fazer nada,
voltando de ônibus pra casa,
com o travesseiro antes de dormir,
- lembro do boa noite dela e do dorme bem –
Mas o fato é que todo mundo pensa.
E eu penso tomando café.

E depois do boa noite dela e do dorme bem,
eu caio no sono,
como se só estivesse esperando por isso,
pra dormir e acordar no outro dia
mas na verdade não descansei o suficiente,
só dormi e sonhei,
sonhei com ela
a noite inteira,
cheguei até cansar,
mas um cansaço bom,
aquele que faz sorrir,
dessa vez não é um sorriso esquálido.

Mas daí a gente acorda
e blasfema o despertador.
Lava o rosto.
Toma o café.
(sempre é bom).
Vai para o trabalho outra vez.
- Filosofia circular  regada a tanta frustração -
Sorriso esquálido outra vez.

É aqui que me encontro agora,
trabalho.
Sorriso esquálido.
O café acabou.
Sorriso esquálido.

Mas sei lá,
eu tenho alguém pra me dizer boa noite,
eu tenho com o que sonhar,
motivos pra acordar,
um trabalho a fazer
e um café ,
bom ou não,
pra me satisfazer.
Um sorriso pleno em conclusão.

A vida é assim...
Então volto a desenhar círculos no photoshop.

domingo, 25 de novembro de 2012

Três Metros Acima do Céu



Ele disse: Eu te amo!
ela respondeu: Obrigado.

Um minuto de silêncio,
como se tivesse morrido alguém,
mas os dois estavam tão vivos.
Ele tinha tantos motivos,
ela não quis conhecê-los.

Ele tentou novamente:
Vê as estrelas?
- foi tão consciente -
te amo três metros acima delas.

Nem o tempo, nem comprimento,
Nem tudo, nem nada,
podem abrir portas fechadas.
Paciência... Ninguém tem a chave.

Eu te amo três metros acima do céu!

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Era uma vez...



Era uma vez...
uma janela aberta
e o beijo na testa
mas dessa vez
pra te fazer dormir
e zelar pelos teus sonhos

Encantada
sempre é
como nos contos
em todos os cantos
do seu coração

Princesa
eu perdi a fé
fiquei tonto
e perdi a batalha
por jurar gratidão

Era uma vez...
o farol da noite
o sol do horizonte
mas dessa vez não
do que adianta
se não posso mais ver?

Era uma vez uma historia,
uma história sem meio,
de um príncipe sem vitória.
Era uma vez uma princesa
que traiu a confiança logo no início.
Fim.

Era uma vez...

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Não há outro caminho (Outra da banda Pública)



Hoje eu consegui te estender a mão
e te fazer sorrir .
Eu tirei dos meus ombros o peso da razão
e tudo mudou pra mim.
Tudo mudou.
Como as flores lá no céu
que não param de crescer.
Tudo mudou pra mim.
 Tudo mudou pra nós.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Apagar das Luzes (Pública)



Dei o fora no primeiro trem.
Mal ficava em pé, nem sentia o chão.
 Gente estranha que me julga sem saber de onde vim, ou pra onde vou.
 Desde cedo me encontro sozinho,
 crescendo nas ruas, brincando nos trilhos.
Sorrisos, esmolas, barulho de tiro,
as vozes ecoam, escuto um grito ,
quanta gente veio ver circo se fechar,
luz se apagar, música de morrer.
Quantas vezes tenho que nascer
para retratar um passado vão?
Quantas vidas tenho que encenar?
Tudo em seu lugar
Que contradição!
Outra noite que eu erro o destino,
mas no escuro eu te encontro
 eu não erro sozinho,
as luzes, as armas, o corpo estendido,
me olha nos olhos, me mostra o caminho