segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Não Caibo em Mim



Segunda feira, seis e cinco da manhã,
o despertador tocou e desliguei.
Peço ao tempo pra me deixar mais três minutos na cama.
Ele deixa, deixa tanto que os três minutos viram quinze.
Acordo com o som da mensagem do celular,
era o Bom Dia dela.
Sorrio e vejo a hora, seis e vinte cinco.
Pulo da cama.
Não caibo em mim.
Mas coloco minha roupa com toda a calma.
Me olho no espelho,
há algo diferente,
meus olhos estão mais azuis...
cadê aquelas veias pequenas?
Não sei pra onde elas foram
(...)
Bom Dia meu amor!
Não caibo em mim
Estou feliz!


sábado, 20 de outubro de 2012

Calmaria (Palhaço Paranóide)



Calma!
Que eu só sei mentir
Eu pedi ao espelho para fingir sobre a minha beleza
Eu tenho medo de seguir,
pois lá em frente mora alguém que eu não quero ver
Eu não quero sentir de novo o que eu sentia
Não ágüem meus medos!

Calma!
Que eu não sei viver
Despertei as feridas que os remédios curaram
Não riam de mim
(...)
Porque eu andei descalço
Quando a terra estava quente
Ou quando eu estive com frio
E minha cama não tinha lençóis
Meus pés congelaram...

Eu me disfarcei
Com o sorriso de alguém que partiu
Eu não presto!
Jogue uma pedra em mim
Eu me apaixono fácil
Eu não sei viver...
Eu não peço perdão
Pois eu fui sincero
Eu fui sincero... em mentir

Calma!
Eu sou uma criança como aquelas que andam de guarda-chuvas
e se molham na volta pra casa.
Eu não quero voltar!

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Á Espera de um Milagre



Foi só eu chegar à faculdade que ela me abraçou e me beijou.
Falou da minha barba.
É... não faço faz duas semanas.
Não tenho nenhum motivo.
Exclamou um “quanto tempo!”.
Acho que ficou feliz em me ver.
Perguntou o que eu “ainda” fazia ali.
Respondi que faltava uma disciplina.
Passamos as catracas juntos.
Perguntei sobre a sua faculdade.
Ela disse que tava no 4º período.
Despedimo-nos mais adiante.
Me abraçou e me beijou outra vez.
Falou pra eu fazer a barba,
E também me aconselhou acreditar...
Outra?
Lembro que na mesma semana, a minha amiga da Bahia falou em acreditar.
Elas sabem os meus problemas...
Porque meu pai não?
(...)

Penso em como a conheci,
Amiga do amigo.
Conversamos algumas vezes em bares, terminais e nas ruas.
Em uma dessas conversas ela falou do seu problema.
Que sua alma doía...
Ela também escreve.
Então eu entendi perfeitamente.
Eu ajudei, aconselhei e peguei a dor para mim.
Acho que ela pediu pra eu fazer uma poesia sobre ela.
Acho que eu nunca escrevi.

Ela me agradeceu.
Depois de um tempo ela ficou bem.

A propósito, a minha amiga da Bahia também me pediu ajuda.
Ela contou a sua historia, relacionamento ruim,
desabafou, chorou e me pediu conselho...
Fui para casa com a dor dela
E ela ficou bem...
(...)

Pouco depois do intervalo encontro um ex-professor,
Homem de caráter,
Se vê pelo olhar dele,
E também pelas suas mãos.
Aquele em que a gente sempre se lembra de agradecer na cerimônia da formatura,
A qual eu nunca participei.
Perguntou-me o que eu “ainda” fazia ali.
Outro?
Só falta dizer que eu preciso acreditar
Dito e feito
(...)

As pessoas criam expectativas sobre mim
Odeio isso
Prefiro surpreender
Mas fazer o que?
(...)

Pego o ônibus,
desço uns quatro pontos antes do meu.
Estão colocando anti-pó na minha rua.
Ela esta cheia de buracos.
Penso na minha alma.

Enquanto caminho, lembro dessa noite.
Penso em À espera de um milagre.
Penso em um episódio do arquivo X,
O cara que tira a dor das outras pessoas.
E vou morrer como luz de estrela, aos poucos, desaparecer...
Enfim, chego a minha casa.
Minha cama, meu  templo.
(...)

Acordo é quase três da manhã.
Vou até o banheiro e não me reconheço no espelho.
Faço a barba.
Penso Sansão.
Chega de Bukovski por um bom tempo.
Este sim sou eu...


quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Wasting



"Fale, Você já sentiu orgulho de quem já te suportou? Eu sei que não!" - Huaska

Ouvi dizer do verdadeiro poeta que expectativas machucam.
Eu sei, eu te machuco.
Eu sei, sou ótimo nisso.
Aprendi desde cedo as esperar as coisas.
Não só as coisas, as pessoas também...
Deve ser vício, errar e não aprender.
O que mais quero é não errar.
Lembro da banda Huaska.
Lembro que "Eu só sei errar de cor".

(...)

Eu sempre te pressiono,
com minha sinceridade,
com minhas palavras,
com meu jeito,
com minha vontade dizer tudo, 
ou só com um Jet'aime...


sábado, 6 de outubro de 2012

Sobre Darumas e Mariposas



Devaneios hierárquicos consomem o tempo.
Poesia infausta ilustra tal lacuna
e estou aqui abraçado com o meu daruma,
mesmo que ele sempre seja caolho,
fecho os olhos e faço minha prece
desejo com força, quem sabe, acontece...

Eu sou uma mariposa que quer apenas um pouco da sua luz