Foi só eu chegar à faculdade que ela me abraçou e me
beijou.
Falou da minha barba.
É... não faço faz duas semanas.
Não tenho nenhum motivo.
Exclamou um “quanto tempo!”.
Acho que ficou feliz em me ver.
Perguntou o que eu “ainda” fazia ali.
Respondi que faltava uma disciplina.
Passamos as catracas juntos.
Perguntei sobre a sua faculdade.
Ela disse que tava no 4º período.
Despedimo-nos mais adiante.
Me abraçou e me beijou outra vez.
Falou pra eu fazer a barba,
E também me aconselhou acreditar...
Outra?
Lembro que na mesma semana, a minha amiga da Bahia falou
em acreditar.
Elas sabem os meus problemas...
Porque meu pai não?
(...)
Penso em como a conheci,
Amiga do amigo.
Conversamos algumas vezes em bares, terminais e nas ruas.
Em uma dessas conversas ela falou do seu problema.
Que sua alma doía...
Ela também escreve.
Então eu entendi perfeitamente.
Eu ajudei, aconselhei e peguei a dor para mim.
Acho que ela pediu pra eu fazer uma poesia sobre ela.
Acho que eu nunca escrevi.
Ela me agradeceu.
Depois de um tempo ela ficou bem.
A propósito, a minha amiga da Bahia também me pediu
ajuda.
Ela contou a sua historia, relacionamento ruim,
desabafou, chorou e me pediu conselho...
Fui para casa com a dor dela
E ela ficou bem...
(...)
Pouco depois do intervalo encontro um ex-professor,
Homem de caráter,
Se vê pelo olhar dele,
E também pelas suas mãos.
Aquele em que a gente sempre se lembra de agradecer na
cerimônia da formatura,
A qual eu nunca participei.
Perguntou-me o que eu “ainda” fazia ali.
Outro?
Só falta dizer que eu preciso acreditar
Dito e feito
(...)
As pessoas criam expectativas sobre mim
Odeio isso
Prefiro surpreender
Mas fazer o que?
(...)
Pego o ônibus,
desço uns quatro pontos antes do meu.
Estão colocando anti-pó na minha rua.
Ela esta cheia de buracos.
Penso na minha alma.
Enquanto caminho, lembro dessa noite.
Penso em À espera de um milagre.
Penso em um episódio do arquivo X,
O cara que tira a dor das outras pessoas.
E vou
morrer como luz de estrela, aos poucos, desaparecer...
Enfim, chego a minha casa.
Minha cama, meu templo.
(...)
Acordo é quase três da manhã.
Vou até o banheiro e não me reconheço no espelho.
Faço a barba.
Penso Sansão.
Chega de Bukovski por um bom tempo.
Este sim sou eu...