terça-feira, 28 de agosto de 2012

Sketche


Foram procurar-me na minha mesa.
Eu não estava.
Estava no banheiro,
tentando lembrar o que me trouxe até aqui,
medo ou coragem.
De tempos em tempos eu tento me lembrar.
Pensamentos a toda velocidade.
52 mil rpm.
Meu cérebro estava mais cinzento que o normal,
cinza photoshop.
Ironia.
Uma lágrima esboça cair.
Sketche da minha vida,
A ilustração que eu fiz.
Vetorizando linhas do tempo.
Ironia outra vez.
Tento pensar em coisas boas,
pra não sucumbir ao pânico.
Lembro das garotas que fiquei,
a enfermeira,
a baixista,
a analista,
a garota ruiva,
dezenas de rockeiras,
muitas delas vi peladas,
mas nada funciona,
continuo mal.
Então meu celular toca
"...I can hear it screaming in my mind
long live rock'n roll..."
O rock sempre o anima o caralho.
Vejo o visor, é o numero dela.
Lembro do cheiro do seu cabelo
e isso me deixa bem.



sábado, 25 de agosto de 2012

Se Sangro, Logo Existo

Peguei o ônibus Curitiba-Campo Largo por volta das 08h40min da manhã
Passei a catraca e fiquei perto da porta do meio
E de repente, naquelas malditas curvas da estrada
Um mal súbito tomou conta de mim
Meu buço começou a suar
Minha respiração ficou ofegante
Senti meu corpo estremecer
Minha pressão deve ter caído
Gosto ruim na garganta
“Acho que vou chamar o Hugo” – Pensei

Até que um cara sai do banco
E aperta a campanhia pra descer
Sem dúvida, vou até o banco
Olhos fixamente para a moça ao lado
E com voz estranha eu peço licença
Ela diz “Fique a vontade!”
Tento dar um sorriso
Pois sei que isso é apenas um mal físico
Não é da alma... Não mais, não mais...
“Se sangro, logo  existo!”

(...)

Por volta do meio-dia eu encontro a moça do ônibus
Dessa vez, é ela que fixa o olhar em mim
Olha com cara de “O moço do ônibus...”
Eu olho de volta
E eu penso em resposta
“Sim, agora bem e feliz!”

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Eu Sangro


“São assim ocos, rudes, os meus versos:
Rimas perdidas, vendavais dispersos,
Com que eu iludo os outros, com que minto!” – Florbela Espanca

Cheio como o Inferno
Um sino tocando no meio do meu sorriso
Batendo nos meus dentes
E durante todo o tempo
Como comida de vampiro
Eu sangro

Minha querida, por que nós estamos aqui?
Ninguém sabe
Nós vamos dormir respirando em fluxos
Minha mente se separa
Eu sangro

Há um lugar enterrado no oeste, em uma caverna
Com uma casa nela
Na argila, os furos da mão
Você pode colocar as mãos juntas com a minha
Eu sangro


sábado, 18 de agosto de 2012

O Tempo a Meu Favor


Eu sempre fui inimigo do tempo.
Eram as horas que passavam devagar
ou o tic tac que era rápido demais.
Era apenas uma ansiedade tão fugaz.

Irônico ou não, o tempo passou,
hoje estou aqui tão sereno.
Há tranqüilidade em meus olhos,
mas atento aos detalhes pequenos.

Lembro das trincheiras que criei,
das batalhas invencíveis que travei.
Eu sei, a nostalgia é inevitável.
O tempo aqui, e agora a meu favor.

Vai tempo, voa,
estou pronto pra brigar de novo.
Eu me sinto novo!

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Papo Breve


Você nunca sentiu o que é sofrer
Você nunca me viu, nunca me vê
Também nunca prestou muita atenção
Sobre o que os olhos dizem

É só outro papo breve
não é mais interessante como antes
então eu vou embora
afinal eu nunca estive aqui

Adeus!


quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Eu Não Sou Jesus Cristo


"Eu que ri quando te espiei cantarolando em frente ao espelho, a menina mais bonita com quem eu já FERI meus ingênuos olhos provincianos" - Jair Naves

Ela me disse não por três vezes
mas eu não consegui me importar
pois estou em um bom momento
Nada vai poder me abalar
Afinal, eu não sou Jesus Cristo

Coloquei minha dor no bolso
e fui cuidar da dor dela
lágrimas molhavam seu rosto
mas eu lhe permito fechar os olhos
e esquecer como lhe encontrei

Ela me perguntou qualquer coisa
pra fugir do silêncio do enredo
"Você está chateado comigo?"
pensei em negar por três vezes
mas eu não sou nenhum Pedro

Então que termine essa história
da mesma forma que começou
fica o beijo roubado em sua memória
mas saiba que eu te perdôo
Apesar de eu não ser Jesus Cristo

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Então Desfiz


Então desfiz
os erros que cometi
por infinitas vezes

As nuvens negras vieram
e lavaram as ruas dos meus dias.
Agora já consigo andar mirando à frente.
Faço do meu passado poesia
e movo os meus pés sobre o presente.
Desse jeito que só eu sei entender.

Demônios vivem a meu lado,
tenho orgulho de enfrentá-los,
pois assim sei que meus deuses me guiam.
Tenho alguns amigos que posso contar.
Escuto o som punk do Dance of Days,
e o rock’n roll que tento tocar.
Sinto-me bem por isso!

Então desfiz
os erros que cometi
por infinitas vezes.
Estou feliz...
Os acertos sempre mostram o caminho.
Sou um eterno aprendiz!