sábado, 25 de agosto de 2012

Se Sangro, Logo Existo

Peguei o ônibus Curitiba-Campo Largo por volta das 08h40min da manhã
Passei a catraca e fiquei perto da porta do meio
E de repente, naquelas malditas curvas da estrada
Um mal súbito tomou conta de mim
Meu buço começou a suar
Minha respiração ficou ofegante
Senti meu corpo estremecer
Minha pressão deve ter caído
Gosto ruim na garganta
“Acho que vou chamar o Hugo” – Pensei

Até que um cara sai do banco
E aperta a campanhia pra descer
Sem dúvida, vou até o banco
Olhos fixamente para a moça ao lado
E com voz estranha eu peço licença
Ela diz “Fique a vontade!”
Tento dar um sorriso
Pois sei que isso é apenas um mal físico
Não é da alma... Não mais, não mais...
“Se sangro, logo  existo!”

(...)

Por volta do meio-dia eu encontro a moça do ônibus
Dessa vez, é ela que fixa o olhar em mim
Olha com cara de “O moço do ônibus...”
Eu olho de volta
E eu penso em resposta
“Sim, agora bem e feliz!”

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