sexta-feira, 26 de agosto de 2011

O Café


Dois cafés então...
Daqueles bem quente e bem forte
Pra eu ver a cor escura
E a fumaça fina desaparecer pelo ar

Pega a minha mão
Diz o que quiser e me deixa sem norte
O que você procura?
Passeie pela sua memória e tente voar

Olhe para os lados e encontre a medida
O açúcar vai dissolver
Mas percebemos que ela ainda está lá
Isso sabemos de cor

Você é a parte escura da minha vida
E eu vou desaparecer
Mesmo que seu cheiro me faça lar
E seu gosto seja o melhor

Agora eu começo a tomar apenas chá...

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

À Minha Contradição

Faço um esforço
Mas tudo soa como vício
Não consigo voltar
Querer sentir a dor
E quando ela não vem
Eu sinto falta da morfina

Às vezes eu torço
Mas isso é só um indicio
Que posso tentar
Mostrar meu amor
Querer-te sempre bem
Ver o brilho na retina

Mal me quer, bem me quer
Mal me quer tão bem
Bem me quer tão mal
Vida se decida!

domingo, 21 de agosto de 2011

Enquanto meus pés estão no ar II


Cicatrizes na pele
E também na alma
Inquietas demais
Mas meu desejo é só um
Agora só quero calma
É algo tão comum
Mas não consigo ter

É, mais uma daquela série...

É garota dos olhos esverdeados
Eu ainda sou aquele garoto inquieto
Não falo muito, mas sou tão insano
Aquele que você conheceu na pré-escola
Quando tínhamos cinco ou seis anos...

Será que eu nunca vou mudar?

sábado, 20 de agosto de 2011

Enquanto meus pés estão no ar

Memória vagabunda
Mente insana
Alma vadia
Faz-se poesia
Não a mais bela
Longe disso
Talvez devaneio
Talvez nada
Ou apenas eu
A pessoa errada
Ainda assim, eu

Outra vez meus pés estão no ar
E ainda não sei o que quero ser
Será que eu nunca vou mudar?

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Fragmento II: O Impulso

(...)

Percebe o que está prestes a acontecer?
O perfume das rosas,
E esses versos em um simples papel
São apenas o impulso
Para que seus pés saiam do chão
E suas mãos toquem todo o céu 

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Gengis Khan não está do meu lado

Logo mais travarei outra batalha
Contra o meu maior inimigo... Eu
Gengis Khan não está do meu lado

Então deixo meus esconderijos para trás
Essa noite devorarão meus pecados
Führer não está do meu lado

Minhas armas não existem mais
O que tenho é apenas essa farda
São Jorge não está do meu lado

Minhas poesias, meu problemas
Meus defeitos, minhas virtudes
Minhas lutas, minhas glórias
Marcas vão ficar na memória

Outra vez estou pronto pra enfrentar
Meu maior desafio, minha vida
Será que eu nunca vou mudar?
“Somos quem podemos ser”

sábado, 13 de agosto de 2011

Setembro de 2009

Eu sei, hoje me pareço com Joey Ramone
“Eu tinha tanto pra falar, mas agora não lembro”
Não sei o que fiz nessas últimas semanas

Tenho gravado um número de telefone
Na memória do celular desde o fim de setembro
E a música All Apologies do Nirvana

Me conheço bem, não foram coisas boas
Demônios no retrovisor não vão me dar sossego
Arrastam-me pra trás pra eu enfrentar

Só quero fugir da verdade e das pessoas
Mas falta dinheiro, não tenho nenhum emprego
De peito aberto fico aqui até eu me achar

(...)

É apenas questão de tempo pra esquecer
Mas sempre vou lembrar seu belo rosto
Às vezes eu escuto All Apologies
Eu sei, ela escuta também
E sabemos que estamos bem...

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Garota

Por vezes ela sentia-se abstrata
Como se fosse um interruptor
Sempre com curto circuito
Não acende estrelas de lata
Mas às vezes pisca forte a dor
Em um letreiro que foi bonito

É apenas um sentimento parado
Não consegue consertar o que resta
O desconforto permanece estático
E sempre pela manhã será desligado
Ainda assim o neon entra pela fresta
Irrita seus sonhos que não são de plástico

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Cada louco com sua loucura

Então eu pergunto qual é o problema
Eles fazem as lambanças que querem
Eu sou taxado de louco por ser sincero,
Por escrever o que penso e quero
E você, Dilma, que nem sabe o que lê

Dilma terá a liberdade de me censurar
Com uma tarja preta
Eu terei a mesma liberdade para falar
Que é a hora da dela tomar o remédio
Com uma tarja preta

domingo, 7 de agosto de 2011

A Teoria do Tempo

E mais que de repente o tempo pára
O pêndulo do relógio pára inclinado
O ponteiro não se move, paralisa no tic
Para ficar na espera infinita do tac
Que talvez possa não acontecer mais

A prática da maldita teoria que inventei
Rio da minha desgraça, Teoria do Tempo...
Tudo congela ao nosso redor
Para revisarmos o que vivemos
Flashes da vida em forma de filme

Nunca pensei que isso fosse acontecer
E no lugar que não tenho nenhum orgulho
Aquela calçada que desde sempre odeio
Aquela que parece ser feita de entulho
Por que é toda desuniforme e quebrada
Nunca foi um caminho de tijolos amarelos

As pernas não se mexem, ancoram...
A âncora destrói um pouco mais a calçada
Nos olhos uma camada de gelo
Para eles não se mexerem durante
Ouve-se apenas o som do silencio
Até o rolo da película começar a rodar

Então começa a execução triunfal
O documentário de toda sua vida
Era para começar sorrir e chorar
Prazer e dor ao mesmo tempo
Porém na prática não funcionou
Acho que tenho o corpo fechado

Acho que é por que eu sei de cor essa história
A teoria do tempo aconteceu sempre
Só que nada paralisou em volta de mim
Se pudesse rir eu riria da minha teoria
Mas agora sou a minha própria cobaia
Rato de laboratório girando a roda

sábado, 6 de agosto de 2011

A Mesma História

As pontas dos dedos sangram de tanto cavar
Terra, pedras e laminas debaixo das unhas
Fazemos um pouco de tudo para escapar
Mas sempre vai existir uma testemunha
Tal qual é a pior de todas, a nossa dor
Vigiará-nos em todos os momentos
Para mostrar que ainda temos valor

Nada de novo, é apenas mais do mesmo
É só a mesma história com outros finais
E sabemos, pode até ser que tenha uma lição
Todavia quase ninguém presta atenção

Depois da Tempestade

Depois da tempestade eu olho para rua
Escondido atrás da cortina vejo os postes
A lâmpada brinca de ser vaga-lume
Nas poças d’água o reflexo da lua
E também a dança dos ectoplasmas
Sabia que eles não iam me abandonar
E isso é sinal que ainda posso acreditar
Niestzche estava mesmo lá
E foi só mais uma tempestade...

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A Tempestade

Entro em um bar qualquer
Só pra fugir da tempestade
Sento-me à mesa com Niestzche
Peço um uísque sem gelo
Tudo o que você não quer saber

Ao fundo ouço “fade the Black”
Belo álbum esse “Ride the lightning”
Música que faz a trilha sonora
Desse filme chato e repetitivo
Onde eu sou um ator medíocre

O bigode de Niestzche se mexe
“mais uma dose para meu amigo”
Já estava ficando bem comigo
Ao ouvi-lo contar essa cena
Sobre a descrença e a razão

O meu amigo do bigode feio sai
E disse que paga a minha parte
Fico e bebo  um pouco mais
Apreciando os créditos finais
Tal qual não aparece meu nome

 “o meu amigo pagou a conta”
Falo pro garçom que já vou indo
Mas ele diz que não viu ninguém
“Você bebeu sozinho a noite toda!”
Então deixei minha carteira vazia

Vou até a porta e olho para rua
E a tempestade ainda continua
Hora de sair correndo entre os raios
Penso “Ride the lightning”
Que seja assim, se você quer...

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Fragmento

(...)
Os olhos verdes rasos d’água
Não condizem com a realidade
Lembro tão bem como eles eram
Brilhantes e faziam um belo par
Com o sorriso dos seus lábios
(...)

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Piano Bar

Há tempos estava tentando postar algo do Humberto Gessinger, acho que agora é um bom monento...

O que você me pede eu não posso fazer
Assim você me perde e eu perco você
Como um barco perde o rumo
Como uma árvore no outono perde a cor

O que você não pode, eu não vou te pedir
O que você não quer, eu não quero insistir
Diga a verdade, doa a quem doer
Doe sangue e me dê seu telefone

Todos os dias eu venho ao mesmo lugar
Às vezes fica longe e impossivel de encontrar
Mas quando o neon é bom
Toda noite é noite de luar

(...)

(Parte da música Piano Bar - Engenheiros do Hawaii)