quinta-feira, 27 de setembro de 2012

O Destino e Eu



Um dia perguntaram se eu acredito em destino.
Nunca me perguntaram isso.
Pensei um pouco...
Enfim, respondi que acredito...
Mas também acredito em mim.
Porque sei que não posso esperar por ele.
As vezes ele falha.
Então estou aqui, escrevendo o meu próprio.
E quando termino de escrever,
eu vou ao encontro da vida.
Fazer acontecer.


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

A Espera (II)

Oito e quarenta.
Vinte centavos na máquina de café.

Café.
Ansioso.

Nove e cinqüenta e dois.
Mais vinte centavos.
Dessa vez cappuccino.
A ansiedade aumenta.

Quase onze horas.
Máquina de café outra vez.
Mais duas moedas pro caça níquel.
Agora é chá misturado com ansiedade.

Penso o que tem haver minha ansiedade com cafeína,
talvez me acalme, talvez nada.
Acho que estou fazendo tudo errado,
as pessoas criam expectativas sobre mim.
Acho que eu as magôo por não corresponder,
mas na verdade não sei ,
a vida não vem com manual de instruções.

já disse, sofro por antecedência,
sou cheio de vícios e manias,
mas estou melhorando essa parte,
escuto Ramones
e esqueço um pouco disso.

Sinceridade...  Quero você aqui,
no meio de minhas coisas,
dos meus livros, discos, filmes,
minhas idéias, manias, suspiros, recortes,
Respirando o mesmo ar...
Só quero suas mãos pequenas e níveas
e seu sorriso de gatinha doida.
Penso Marie.

Então espero,
não tenho nada melhor pra fazer.

sábado, 15 de setembro de 2012

Eis que surgiu você



Por vezes me via correndo em círculos,
tentando fugir e nunca conseguir.
Me via ancorado ao que eu não podia entender.
Em minha alma, uma galeria de quadros em pedaços.

Mas rezei minha reza de ateu,
torci para o tempo vir.
Ouço...é o tempo correndo  pelos poros, veias, rios e avenidas.
ouve, é a vida deslizando,  sendo tecida, fugindo, andando.

Eis que surgiu você...

Hoje eu durmo com um sorriso displicente,
agora o que eu tenho é suficiente
e não importa tanto "porque" ou "como"
fico em paz até pra pegar no sono.

Eis que surgiu você...

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Gauche


Sou o galo que canta de madrugada sempre na hora errada
Sou o relógio que serve para dizer que horas não são
Sou cego que acende a luz por medo do escuro
Sou janela que dá de vista pro muro

Sou a palavra morta na boca
Sou a língua presa entre os dentes
Sou esse sonhar acordado, pesadelo vivo na rua
Eu sou trabalho escravo que cumpro nas horas vagas
Sou o dia perdido junto com o calendário
Eu sou o corpo em chagas e língua lambendo as feridas
Enquanto o corpo agoniza no canto escuro da sala

Sou pagador de promessas alheias
Semeio o chão infecundo
Escrevo no ar, vem o vento
e embaralha as coisas todas do mundo

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Pelebrói Não Sei


Ela me cobrou
disse que perdeu o show por minha causa
Pelebrói Não Sei
Banda local
Desculpe Baby, eu falhei!
Único verso, no qual consigo lembrar agora

Sentimento de frustração
permutado com descrença
tem gosto de pó de café velho no filtro depois de três dias
(...)

Fui até a máquina de café
Lembrei que me esqueci de trazer moedas
Elas estão jogadas na estante ao lado da TV

Sentimento de frustração
permutado com descrença
tem gosto de pó de café velho no filtro depois de três dias
(...)
Como um simples ato de inadequação pode interferir no seu dia?
(...)
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