sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Olhar em Distância


Distância... Olhar em distância
Tão displicente que não percebo
O que tenho em meu bolso
E angústia pairando em meu rosto

Displicência... Sempre displicência
Consumo-me em pensamento
Nietzsche porque chegas assim?
Mais um disparate sem fim?

Sensação... Outra sensação
Sabe aquela de querer tanto?
Que quando conseguimos não queremos mais
Só por demorar demais?

Queria deixar o passado
Essa angústia de lado
Entender o presente
E o motivo de ser ausente
E prever o futuro
Usar o tempo a meu favor

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Anjos, Deuses e Heróis


O que resta é a baba
Depois dos vinte minutos de cochilo
Então o show acaba
Foram se os quinze minutos de fama

E Ninguém viu
Mas talvez você ganhe um “parabéns”
Comprimento frio
Que te deixa ainda mais decepcionado

É a chance Ideal
Para você sair pelas portas dos fundos
Encarar a vida real
E a ilusão vai te deixar ainda mais forte

Mas é preciso parar em um bar
Beber com deuses e anjos viciados
Sabemos que nunca te ajudaram
E os heróis já estão aposentados

Fugindo da luz
Evitando que as pálpebras se fechem
O radar conduz
Nosso instinto de querer continuar

Enfim, lar
Tem fim a busca incessante por abrigo
Descansar
Lembrar o que deu errado e consertar

Mais um dia se foi e o herói é você
Nenhum anjo vem para te proteger
Viver aqui é ser quase um semi Deus
Mãos feitas pra trabalhar e não perder

Amanhã levantaremos cedo
E enfrentaremos o dia sem medo
“Tudo bem seja o que for,
Seja por amor as causas perdidas...”

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Eu amo tudo o que foi


EU AMO TUDO o que foi,
Tudo o que já não é,
A dor que já me não dói,
A antiga e errônea fé,
O ontem que dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.




Fernando Pessoa

sábado, 24 de setembro de 2011

Ritmo Ideal


Fico estagnado aqui
Não sei recitar outras coisas
A não ser sobre demônios
Invento mil histórias irreais
Repito-me outra vez mais
Mas não conseguem me ouvir
É apenas o mesmo som agudo
E os graves nem são ouvidos
Não faz falta para os surdos
Mas pra mim faz... E muita!

Sem matar músicos ou poetas
Tento descobrir a maneira certa
E tocar seu coração com meus versos
Ou achar o ritmo ideal para a sua canção

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Um uísque, um abraço e dois sorrisos


Eu estava sentado em um banco longe da festa
Com um copo de uísque com duas pedras de gelo,
O qual ainda não tinha dado nenhum gole

De repente ela veio em minha direção
Senta ao meu lado e coloca o braço nas minhas costas
“Sorria, por que você fica ainda bonito”
Rouba minha frase descaradamente
Então dou um sorriso pra ganhar o dela
“A festa também é sua...” – continua
Um instante de silêncio para mirar ao longe
“Parece que ela não precisa de mim” – digo
“Talvez... Quem precisa de você, sou eu” – ela diz

Penso em beber todo o uísque em um gole só
Mas quando encosto o copo na minha boca
Ela pega e tira o copo da minha mão

Levanta-se do banco e faz me levantar também
Ganho o abraço mais sincero dos últimos tempos
Olha pra mim com um brilho em seu olhar
“Vem, vamos dançar” – diz já me puxando
“Não posso, eu não sei” – digo freando-a
Outro instante de silêncio para se mirar ao longe
Mas logo o silêncio é quebrado com sua voz
“Eu também não sei, aprenderemos juntos...”
Ela bate o recorde, ganha dois sorrisos meus na mesma noite

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Sei Lá


Sei lá, queria saber me expressar
E não resumir minha vida em um “sei lá”
Acho que mesmo tendo ajeitado ela
Não consigo dizer o que mudou
Então eu escrevo com palavras estranhas
Coisas tristes vendem mais que alegres
E aqui ainda reside um “Coração Insano”

Ando por aí sem destino
Só pra saber onde a estrada vai dar
E quando ela acabar, eu volto pra casa
Mas ultimamente ela não está tendo fim
E amanhã estarei de volta pra continuar
Só pra desfrutar da companhia
e ainda encher meu caderno de poesia

Não mais vontade de encharcar-me de álcool
E depois tacar fogo e virar cinzas de cigarro
Em qualquer bar de beira de estrada
Dessas mesmo que eu costumo andar
Agora eu olho pra o que tenho a meu lado
Presto atenção no que eu não percebia
Nos lábios que dizem um simples “bom dia”

Continuo tentando descobrir o que é
Desvendar o que esse maldito “sei lá” significa
De repente ele e some por tempos
Mas às vezes acho que sente saudades de mim
E volta arrebentando com tudo
Libertando demônios, sorrisos e tristezas
E também a estática, os erros e as certezas

domingo, 18 de setembro de 2011

Câncer Overdrive


Um corte qualquer na pele
Você sente arder,
Mas nem se importa muito
Ainda é suportável

E sabemos, é alvo fácil
 Para os demônios entrarem
E quando eles entram...
Vai ferrar com tudo mesmo

O peito vai sangrar
E nos afogamos em nossos prantos
Sentimento de culpa
Impera no interior do corpo

Este é o caminho
Em que eles te pegam pela mão
Você os leva até a alma e eles levam a alma
Deixam-te o resto, o resto é a dor

Não é apenas uma tempestade
Muito menos em um copo d’água
Mas as nuvens negras estão lá
Impedem-te de ver o sol

Acontece a seu lado
É mais normal que pensamos
E às vezes nem percebemos
Mais um vício maldito pra te consumir

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Não Consigo Dormir


Sei lá, não consigo dormir
A noite está tão estranha
E nem parece estar escuro
O meu quarto está cinza
Pela janela entra a neblina
Extasiada atravessa a cortina
Inebriada começa a cair

Sei lá, não consigo dormir
E eu fico aqui vendo sombras
A dança das sombras...
Passando pelas frestas
Fazem um esforço gigantesco
Espremem-se para entrar
E logo desaparecem, desaparecem...

Sei lá, não consigo dormir
Lá no céu a lua cheia impávida
Escondida atrás das nuvens
Só aparecendo o contorno
Ela vem pra me contar histórias
Dessa vez boas histórias
E dessa vez sobre mim

Sei lá, não consigo dormir
Mas eu não me importo mais
Vou acabar dormindo cedo ou tarde
Estou me sentindo confortável
E estou me sentindo feliz