segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Voltar pra casa

É como um café com bastante açúcar, não me faz bem
Ainda assim é preciso sustentar esse corpo já viciado
Porque existe uma parte, uma parte boa, que nos mantém
“o dia que demos as mãos e nos permitimos criar asas”
E eu sei tanto quanto você, eu só preciso voltar pra casa
Mas eu não consigo, meus pés estão presos neste lugar
Vejo-me parado, olhando para o que me trouxe até aqui
Tratoir maldito, quantas vezes terei que blasfemar?
É...  De nada adianta, então a deixo caminhar comigo
Lado a lado, por toda extensão dessa calçada maltratada
Como se fosse um inimigo que se transformou em amigo
De tanto que me acompanha quando preciso voltar pra casa

Acometo o gigante Prometeu que reside atrás das costelas
Cometo o pior dos enganos em uma história tão bela
Só pra satisfazer a arte e a vontade que nutre essas poesias
E no fim até que me dou bem, alguém sempre as devoras
Fico feliz com a companhia dessa solidão que me faz par
Brindo com uma dose de cafeína que dissolve a glicose
Então vou pedir pra ficar e fazer uma piada quase singular
Pois o sentimento é perfeito e o desejo são olhos saltados
E que faz os seus lábios sorrirem com um desejo guardado

Sabe, dessa vez a solidão foi embora, foi sim
E o que eu tenho que dizer é um muito obrigado
Por me deixar ser eu, mesmo sendo o cara errado
Por me ajudar a voltar pra casa, a voltar pra casa...

sábado, 29 de outubro de 2011

Areia (Em Construção II)


E a piada perdeu a graça
Outro mês que se passa
Não sei mais o que é sorrir

Então me deixo afundar de uma vez
Ate meu pulmão se encher de areia
A figura muda, outra desgraça alheia

Às vezes me lembro daquelas histórias
Que o professor de matemática contava
Falava sobre mudar tudo a seu redor
Em se esforçar e no final conseguir glória
“A vaca e o monge”, assim eu intitulava

Eu sempre olho pra trás
Escrevo sobre ser audaz...
Mas o que é que me prende?

Sei que aqui dentro existe tanta vontade
No entanto, ainda não aprendi como usar
Areia, você não vai conseguir me matar

E eu nunca consegui ficar parado aqui
A toda hora uma dose de adrenalina
Faz com que meu coração acelere
Que eu possa levantar e construir
E ver o que a vida sempre me ensina

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Uma Nova Chance

Então pede pra ficar
Mas não sabe o quão tolo é isso
De joelhos a se humilhar
Agarrando-se em suas mentiras

E eu sei, não vai ceder
O nosso tempo passou longe daqui
O que resta é o perceber
Tentar ser melhor com nós mesmos

Fechar os olhos e sentir
Que tudo a sua volta vai pelos ares
E você começa a ruir
Acho que isso é uma chance pra recomeçar

Sorrir e se dar valor
É difícil, mas é preciso ter paciência
Não há tempo pra dor
Um novo caminho e uma nova vitória

sábado, 22 de outubro de 2011

O Inferno sempre está em mim

Queria ter as respostas que não tenho para situações em que me atiro.
Ser um pouco mais como as outras pessoas aparentam ser, sabe?
De repente tudo que fez tanto sentido pra mim não parece ser tão certo.
De repente me sinto novamente como a formiga frente ao tsunami.
Como se o mundo fosse me lavar a alma e me forçar a reconstruir a vida.
De repente não faz mais sentido ficar guardando folhas e cascas para o inverno.
De repente é só a grande onda e a morte iminente.
E o difícil é sentir que de tempos em tempos isso acontece.
De tempos em tempos “I can´t get no satisfaction”…
E sempre sinto essa angústia.
Esse aperto inexplicável na garganta.
E tudo fica pior pois todo mundo pensa que meu problema é com as outras pessoas.
Quando SEMPRE é comigo.
O inferno SEMPRE está em mim.
SEMPRE…
(…)
As vezes isso me cansa.
As vezes SEMPRE.
(…)
Queria ser diferente.
Juro que queria.
(…)
E o relógio segue.
Incessante.
Onipotente.
Inflexível.
Onipresente.




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Um par de lentes


Então medusa, congela estes meus olhos
Que agora só vê através de um par de lentes
Esse meu desespero é tão inconseqüente
Não sei como adquiri essa sensação indigna

Durante a noite eu não vejo mais estrelas
Só me escondo debaixo dos meus lençóis
E quando amanhece estou tão perdido
Eu caminho pelas ruas à procura de heróis
Nenhum semideus vem pra me salvar

Tem início o meu “ensaio sobre a cegueira”
 E o meu vício por querer viver no escuro
Não sei como consegui apagar minhas luzes
Para depois insistir em acender estopins
Tacar fogo e queimar minhas próprias cruzes

Eu sei vou voltar a enxergar, mas é temporário
Tempo suficiente para ver as cinzas úmidas
E o que resta depois de nas nuvens negras
Outra vez a estrada implorando por mudança

Fecho os olhos ou quebro meus retrovisores
Pra não ver o cemitério que deixei enterrado
Pois agora o que virá vai ser um pouco de paz
Essa luta contra meu próprio eu me faz audaz

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O Meu Horóscopo


O meu horóscopo diz que vai pintar uma viagem
Que muito em breve eu vou viajar
Como sempre desacredito em todas essas coisas
Li por que era uma descrição curta
Imediatamente ri e perguntei-me, como pode?
Eu não tenho nada programado
Então que fique assim, vou fingir que acredito
E o que fica é apenas a risada