Então medusa, congela estes meus olhos
Que agora só vê através de um par de lentes
Esse meu desespero é tão inconseqüente
Não sei como adquiri essa sensação indigna
Durante a noite eu não vejo mais estrelas
Só me escondo debaixo dos meus lençóis
E quando amanhece estou tão perdido
Eu caminho pelas ruas à procura de heróis
Nenhum semideus vem pra me salvar
Tem início o meu “ensaio sobre a cegueira”
E o meu vício por
querer viver no escuro
Não sei como consegui apagar minhas luzes
Para depois insistir em acender estopins
Tacar fogo e queimar minhas próprias cruzes
Eu sei vou voltar a enxergar, mas é temporário
Tempo suficiente para ver as cinzas úmidas
E o que resta depois de nas nuvens negras
Outra vez a estrada implorando por mudança
Fecho os olhos ou quebro meus retrovisores
Pra não ver o cemitério que deixei enterrado
Pois agora o que virá vai ser um pouco de paz
Essa luta contra meu próprio eu me faz audaz
Nenhum comentário:
Postar um comentário