domingo, 27 de novembro de 2011

O Tempo Perece


O tempo perece-se a cada segundo
E o meu sempre me contraria
Quando percebo se passaram os dias

O relógio reina soberano e onipotente
Vejo-me cansado na subida dos ponteiros
As pálpebras descem pra perder o presente
Encobre os meus pobres olhos por inteiro

Saudade de quando eu tinha dezesseis
E nenhuma ampulheta podia me parar
A velocidade me levava pra qualquer lugar
Lembro Fast to live, too fast to die

Sei que não fiz tudo o que eu queria fazer
Então rezo para Chronus me permitir
Já disse, dentro de mim há tanta vontade
Minha alma sagaz não tem idade

Deixo o tempo perecer, deixo sim
Já não ligo mais pra toda essa correria
O que me mantém vivo é a teimosia

Mas não deixo me roubarem o amanhã
Sonhos em longo prazo não residem nessa rua
Quem sabe um show do Kiss em Amsterdã?
São os planos que aceleram esse meu coração

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Alice Narcoléptica

Ah meu amor, este suor enfermo
Blasfema meu erro, de faca em punho
Clareio teu rosto, te faço meu sonho
Pra que entre eu e tu não existam segredos

E se te peço perdão, é porque te amo
E se te marco meu nome é porque te venero
A tua beleza, teu calor eterno
Salva este coração mundano

Ah meu amor, me faz oceano
Pra que dissolva em ti meu choro profano
Por ter cometido o pior dos enganos

Hoje sei, sem você amor, não sou vida,
Sou dor, amargura, vazio e ferida
Salva este coração mundano.




Letra da música Alice Narcoléptica da banda Dance of Days

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Fragmento da meia noite II: Um horizonte


Passavam-se dez minutos da meia noite
De cima dos prédios víamos as luzes da cidade
Contemplávamos o brilho que ela nos proporciona

Ela diz: Agora... tragam-me um horizonte
Eu digo: Eu tenho um horizonte...

Quando passamos tempo demais atrás de algo
Correndo pelos cantos arredondados do mundo
Correndo no trabalho, em casa, na faculdade
Buscando pessoas ou mesmo fugindo delas
Vencendo, perdendo, realizando planos,
Sonhos, certezas, dúvidas, enganos
Deixando o ontem e pensando hoje o amanhã
Criamos nosso próprio horizonte

Mas o que eu realmente queria era uma vertical
Só pra subir até o céu e ficar entre as estrelas
Eu sei parece insano como tudo perto de mim
Contudo, não é possível sozinho ter uma vertical
É preciso de alguém que nos faça criar asas
De algo que podemos ter por igual

Ele diz: Fica comigo?
Ela não diz nada, só ouve o som dos carros barulhentos
Às vezes nem é preciso respostas, pois já sabemos
E não me importo muito, apenas curto o momento
Além do mais, estamos acima cidade, apenas nós dois

(...)

Se você ficasse comigo,
Eu poderia enfim, ter uma vertical...
E eu poderia dar a você um horizonte
Não um qualquer, mas o mais belo de todos
Não como se estive em cima de um prédio
E sim, acima das estrelas...
O que acha de um horizonte acima das Estrelas?

(...)

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Então silêncio, então reflexão...


Faz-se sem querer
Enquanto as vozes gritam dentro da cabeça
Por fora uma calma
Por dentro reina o som que sacode a alma
Então silêncio...
Então reflexão...

domingo, 20 de novembro de 2011

Quadro



Porque eu quero
risos e abraços,
palavras bonitas em tons brandos
respostas amáveis
aos meus dóceis questionamentos.

De que vale
enganos e dissimulações
falsidade e forçadas
atitudes meigas.

Prefiro rostos fechados
murmúrios malevolentes
intenções maldosas
e costas voltadas.

Por ser a verdade
escancarada
a alma da pessoa
escrachada...

O ser quem tu és...
  
Quem tu és?


(Agradeço a Mayly que gentilmente cedeu esse poema e deixou mais bonito esse simples blog)

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Esse meu corpo não se satisfaz


Esse meu corpo não se satisfaz
Faz promessas de nunca mais
Outra vez promessas de bêbado
De um bêbado que não bebeu
Que sua ressaca é sempre lembrar
Do erro mundano que cometeu

Esse meu corpo não se satisfaz
É sempre magro e tão voraz
Mas quem o devora é a esfinge
E os erros ela cospe com os ossos
Pra mostrar meus pecados
Pra recomeçar do outro lado
O gigante prometeu desce do céu

Esse meu corpo recomeça
E não há nada que impeça
Basta ter um pouco de paciência
Sei que o empirismo vai imperar
Gosto de novas experiências
E essa tenho certeza que acertarei

terça-feira, 15 de novembro de 2011

A garoa é fina


A garoa é fina
E ainda tenho que voltar pra casa
Mas não me preocupo em me molhar
Quem sabe ela lava a alma também?
Jogo as mãos aos céus para idolatrar
 Tudo o que me fez estar bem

Quem disse que um uma noite de chuva
Não é tão bela quanto um dia de sol?
Os neons da cidade, as luzes do farol
 Somam-se as gotículas caindo
Criam um efeito “aquarela” tão real
Que quando percebo estou sorrindo

Pela primeira vez não preciso voltar pra casa
Mas pela primeira vez, eu realmente quero
Tenho um bom vinho esperando por mim
Então farei um dos brindes mais sinceros
Sabemos que a vida não é tão ruim assim
Duas taças no máximo e sorrisos sem limites

Tenho tanto o que escrever
Tenho tanto o que viver
Então, me deixo levar por essas linhas
E me perder enquanto a garoa é fina