(...)
Então eu estou aqui,
empurrando uma coxinha velha para dentro
e escrevendo isso tudo.
Preciso escrever.
Preciso colocar pra fora.
Mesmo que pra jogar fora tudo um dia.
Sou meu único ouvinte.
O único para quem não consigo mentir compulsivamente.
Escrevo porque o que escrevo é a única coisa em que realmente acredito.
Como naquele filme em que o cara tatuava no corpo o que
precisava lembrar no dia seguinte.
Me sinto um louco que inventou sua própria língua.
Conversando sobre nada no corredor do hospício.
E cercado de gente mais louca ainda que concorda com tudo o
que eu digo.
Você sai de Palomar, mas Palomar te persegue.
Se por um lado a solidão me liberta,
por outro me faz ver quieto o mar em que me debato para não
afundar.
É fato, se a ignorância me fascinasse jamais sentiria
solidão.
E se por um lado essa dor que sinto com esse vazio no peito me
enlouquece,
por outro me faz sentir diferente de todo esse mundo de
gente fria,
e assim me faz sentir vida nesse corpo.
Não sei se é verdade, mas quero acreditar nisso.
Escrevendo em
guardanapos, corpo sujo, fedendo a conhaque barato.
A diferença é que dessa vez estou achando isso tudo uma
bosta.
Não consigo parar.
Mas acho uma bosta.
Trecho da poesia Jumanji
que está no livro O Diabo Sempre vem
pra mais um drink de Nenê Altro
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